quarta-feira, 20 de abril de 2011

ZÉ SALDANHA

FONTE: REVISTA PREÁ
ZÉ SALDANHA nasceu na Fazenda Piató no municipio de Santana do Matos em 23 de fevereiro de 1918. Teve o umbigo enterrado sob a porteira do curral para crescer rico e feliz Criopu-se "batendo beiço" com sertanejos de fala compassada, sem o contorcionismo verbal dos intelectuais. Conhece o linguajar do homem da caatinga, com sua terminologia curiosa, de cabo a rabo". Segundo George Câmara, o poeta cresceu como um errante cavaleiro medieval no poligono da poesia popular, escrevendo poemas caboclos entoados ao som da lira, no reino dos cantadores. Ouviu a poesia entoada por mestres da cantoria que interpretavam a cadência ritmica do coração. Sentiu a magia melancólica dominar o povo dos sertões. É do tempo em que os mais sábios só possuíam 3 tipos de livros: A Biblia, O Lunário Perpétuo e o Cordel. Seus primeiros best sellers foram o Pavão Misterioso, João de Calais, Carlos Magno e os doze paras de França, a Imperatriz Porcina e a Donzela Teodora. "Mas o poeta não tem pátria, assim quis o professor Pedro Ribeiro, que sempre dizia: o gênio não tem pátria. E Zé Saldanha é um gênio ingênuo que vive a derramar imagninação e modelando a natureza. É, antes de tudo, um sertanejo poeta e forte. E o poeta sonha ama e sofre mais do que os mortais. Zé Saldanha escreveu seu primeiro cordel em 1935 ( O preço do Algodão e o Orgulho do Povo). Não parou nunca mais: História do Boi Mandingueiro, O Valente Serapião, O Velho Catimbozeiro, Singéfrida e Ozean, A Sogra Nordestina, O Matador de Onças, O Político e o Povo, etc.

fonte: Jornal Tribuna do Norte de 13 de março de 2009.

José Saldanha e Abaetê



 

Zé Saldanha, o mais velho e lúcido cordelista em atividade no país (91 anos)  foi homenageado na dupla inauguração da Casa do Cordel e da sede da Unicodern (União dos Cordelistas do RN) em Natal, pelo poeta Abaeté. A entidade comercializará obras de poetas potiguares como: Bob Motta, Saldanha, Crispiniano Neto, Antônio Francisco, Concriz, Paulo Varela, Manoel Azevedo, Braga Santos, Elinaldo Gomes, Hailton Mangabeira, Cefas Carvalho, etc. (tel.: 9147-6182  -  e-mail:  oencantodocordel@hotmail.com ).

APARÍCIO FERNANDES DE OLIVEIRA

QUEM FOI APARÍCIO FERNANDES?

Filemon F. Martins


APARÍCIO FERNANDES DE OLIVEIRA (1934-1996) nasceu em 16 de dezembro de 1934 em Acari, Rio Grande do Norte, mas passou a infância e adolescência na cidade salineira de Macau, ao norte do mesmo Estado, onde Aparício, ainda criança, brincou, aprendeu as primeiras letras, fez amizades e teve suas primeiras paixões. Estudou em Natal, Recife e Caicó. Seu primeiro contato com o trabalho foi ainda em Macau, numa firma salineira. Todavia, quando a família se mudou para Natal, seu irmão conseguiu empregá-lo no “Departamento Nacional de Obras contra a Seca” – DNOCS.
Em 1952 resolveu dar um novo rumo à sua vida. Embarcou no navio Itahité de Natal em direção ao Rio de Janeiro. Assim, Aparício deixou seu Estado de origem para brilhar em outras plagas, tendo escrito, tempos depois, uma de suas trovas mais bonitas: “Parti do Norte chorando, / que coisa triste, meu Deus!.../ - Eu vi o mar soluçando / e o coqueiral dando adeus...”
Em 1967 casou-se com Adelina Maria Diniz Fernandes, na Catedral de Juiz de Fora – MG. Seus filhos: Maria Verônica, nascida em dezembro de 1971 e André, nascido em setembro de 1975.
Poeta, Trovador, Cronista, Radialista e Entrevistador e um dos maiores organizadores de Coletâneas do Brasil. Aparício colaborou em jornais, revistas e emissoras de rádio, onde apresentava programas de trovas, ora declamando, ora entrevistando outros trovadores. Organizou e publicou em parceria com Zálkind Piatigórsky, a Coleção “Trovas e Trovadores”, com 22 livros de autores nacionais, edição da Livraria Freitas Bastos, entre 1962 e 1963. Ainda juntamente com Zálkind Piatigórsky e Magdalena Léa, organizou e publicou a Coleção “Trovas do Brasil” em 12 volumes pela Editora Minerva, em 1965.
Tornou-se Diretor da Secretaria da Junta de Conciliação e Julgamento (Justiça do Trabalho) da cidade de Três Rios, a 123 Km do Rio de Janeiro, formando-se, posteriormente, em Direito nas Faculdades Integradas MOACYR SREDER BASTOS.
Escreveu dezenas de livros, entre outros: “SONHO AZUL” – 1961; “CANTIGAS DO AMOR SINCERO” – 1962; “TROVAS DO MEU CORAÇÃO” – 1965; “O GRANDE REI” – 1966; “O REI DOS REIS” – 1968; “A TROVA NO BRASIL – HISTÓRIA E ANTOLOGIA” – 1972; “NOSSAS TROVAS” (com 72 autores) – 1973; “NOSSAS POESIAS” (com 74 autores) – 1974; “POETAS DO BRASIL” (2 volumes com 150 autores) – 1975; “ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL” (2 volumes com 162 autores) – 1976 e 1977. A partir de 1978 Aparício organizou e publicou também “ESCRITORES DO BRASIL” (2 volumes) e o “ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL” em 4 volumes.
Autor da magnífica “ORAÇÃO DO POETA” que passou a ocupar a quarta capa dos Anuários: “Obrigado, Senhor, pela música – mensageira da harmonia – que nos enternece a alma; pela água cristalina, pela esperança que anima os corações e pelo amor, que dá sentido à vida. São dádivas vossas: a solidariedade, o riso das crianças, a ternura das mães, a sabedoria da natureza, a justiça, o perdão, o remorso, que regenera os maus. E o próprio erro, quando induz à verdade. Temos o mar, o céu, a terra dadivosa, os animais que tanto nos servem, as flores – que são estrelas da terra – e as estrelas – que são as flores do céu... Mas, sobretudo, obrigado, Senhor, pela poesia, que é o conjunto de todas essas maravilhas e a revelação suprema do vosso amor. Obrigado por ter-me feito sensível à face resplandecente da vossa beleza. Que chegue até vós a nossa gratidão, porque vos dignastes ser o maior de todos os Poetas!”
Eis algumas trovas de Aparício Fernandes: “Quanto mais a mulher jura/gostar de homem erudito, / tanto mais ela procura/um tipo burro e bonito...” “Da minha infância, já finda, / eu sou o amargo produto. / Nem sempre da flor mais linda/é que nasce o melhor fruto...” “Lá se vão os retirantes! / deixam seus campos... seus bois... /- o coração morre antes! /- o corpo morre depois...”
Segundo escreveu WALTER WAENY, em artigo publicado no jornal CIDADE DE SANTOS, dias 08 e 15.07.1982: “Reunindo essas duas aptidões – excepcional bom gosto e critério literário – Aparício Fernandes está plenamente à altura da tarefa imensa que se impôs: sendo, sem dúvida, um dos melhores e mais expressivos trovadores do Brasil, ele, além disso, é possuidor de ampla cultura literária e de alto senso de organização. Como conseqüência, as antologias, por ele elaboradas, são as melhores e mais completas de que o Brasil dispõe, no terreno da trova, e, no terreno da poesia, são aquelas que mais amplamente apresentam um panorama literário da atualidade.”
Alguns comentários sobre o Anuário de Poetas do Brasil: “O Anuário de Poetas do Brasil é a ponte que leva os poetas olvidados ao conhecimento do público leitor e dos expoentes da literatura nacional”. Carlos Ribeiro Rocha (Salvador-Bahia). “Felicito-o pela beleza e propriedade da obra, que enriquece a bibliografia brasileira”. Vasco José Taborda (Curitiba-Paraná). “Aparício Fernandes vem realizando esse trabalho há algum tempo, com real proveito para as nossas letras”. Torrieri Guimarães (São Paulo-SP).
A poesia de Aparício Fernandes é de um lirismo encantador. Não há quem não se apaixone pelos versos do poeta potiguar, emprestado ao Rio de Janeiro. Sua poesia é profunda, bela, inspirada e espontânea. Quem o lê, tem a sensação de estar cantando, declamando, cantarolando uma canção de amor, de fé e de esperança.
O poeta deixou uma obra de inestimável valor para a literatura nacional e conforme depoimento de seu amigo mais chegado, ENO THEODORO WANKE, seu único vício – o cigarro – o levou definitivamente às duas horas e dez minutos da madrugada de 09 de janeiro de 1996.
No ano 2000, comemorou-se o cinqüentenário do Movimento Trovista Brasileiro, também conhecido como Trovismo com o nome de Aparício Fernandes, numa justa homenagem de seus irmãos, os Trovadores.
É verbete da ENCICLOPÉDIA DE LITERATURA BRASILEIRA, de Afrânio Coutinho, edição do MEC, 1990, com revisão de Graça Coutinho e Rita Moutinho Botelho, edição revista e atualizada em 2001.


BIBLIOGRAFIA:

ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL – 1979 – 4º VOLUME
(FOLHA CARIOCA EDITORA LTDA - RIO DE JANEIRO).

ANUÁRIO DE POETAS DO BRASIL – 1982 – 1º VOLUME
(FOLHA CARIOCA EDITORA LTDA - RIO DE JANEIRO).

APARÍCIO FERNANDES – TROVADOR E ANTOLOGISTA,
ENO THEODORO WANKE
(EDIÇÕES PLAQUETTE – RIO DE JANEIRO – 2000).


filemon.martins@uol.com.br
filemonmartins@bol.com.br

ANÔNIO BENTO DE ARAÚJO LIMA

Antônio Bento de Araújo Lima nasceu na Paraíba, em outubro de 1902. Faleceu no Rio de Janeiro, em outubro de 1988. Viveu sua infância e adolescência no engenho e fazenda Bom Jardim, em Goianinha. Fez estudos ginasiais em Natal. Iniciou o curso de Direito em 1920, no Recife, quando morou numa república de estudantes de Olinda, tendo como companheiros José Lins do Rego e Raul Bopp. Já em São Paulo, em 1926, trabalhou ao lado de Mario Pedrosa no Diário da Noite, como cronista musical Participou de pesquisas folclóricas com Mario de Andrade, fornecendo-lhe temas nordestinos. Foi ele o responsável entre o encontro de Mário com trovador potiguar Chico Antônio. No ano 1927 que foi eleito deputado estadual pelo Rio Grande do Norte. Participou da elaboração da lei pioneira que concedeu no Brasil, o voto feminino. Foi reeleito para um segundo mandato, deixando de exercê-lo em face da revolução de 1930. Na Franca, em 1949, tornou-se um dos sócios fundadores da Associação Internacional de Críticos de Arte (AICA). Foi eleito e reeleito duas vezes Presidente da Seção Brasileira da AICA, e durante muitos anos seu Presidente de Honra. Foi membro da Comissão Artística e Diretor do Teatro Municipal do Rio de Janeiro, entre 1960 e 1962, além de sócio fundador do Museu de Arte Moderna do Rio. Com inúmeros trabalhos de analise e interpretação estética, consagrou-se como um dos maiores divulgadores da arte moderna em nosso país. 
FONTE: FUNDAÇÃO JOSÉ AUGUSTO

ACADEMIA DE TROVAS DO RIO GRANDE DO NORTE

No ano de 1965, na pacata cidade dos Reis Magos, o desportista LUIZ convidou o apaixonado poeta LUIZ e o historiador LUIS para, juntamente com os grandes nomes, fundarem uma agremiação trovadoresca no estado do Rio Grande do Norte.
A idéia, na realidade, surgiu em dezembro de 1964, na grandiosa metrópole de São Paulo, numa reunião promovida pela Gazeta Esportiva e coordenada pelo poeta e trovador Paulo Bonfim, grande entusiasta da trova brasileira. E o desportista LUIZ, após ouvir calorosas declamações de trovas, foi incitado a criar um grêmio de trovadores norte-rio-grandenses, mesmo sem ser trovador.
Assim, na noite do dia 12 de novembro de 1965, nasceu o clube dos trovadores potiguares que, em 11 de fevereiro de 1967, passou a ser chamado de Academia de Trovas do Rio Grande do Norte. portanto o imensurável Luiz cumpriu a dificílima tarefa de reunir intelectuais, compromissados com a feitura da trova – da poesia metrificada, rimada e elaborada.
Hoje, passados mais de 30 anos, superando obstáculos naturais à intelectualidade, a ACADEMIA DE TROVAS DO RIO GRANDE DO NORTE é motivo de orgulho para quem vive na terra do petróleo, do sal, do algodão e dos suspiros da natureza. Seus acadêmicos brilham em livros, revistas e jornais vislumbrados pelos olhos do Brasil.
Grandes presidentes proclamaram o nome da instituição e subiram, com ela, os degraus da glória. É o caso do primeiro presidente LUIZ DE CARVALHO RABELO, importante intelectual brasileiro que dedicou os grandes momentos da vida à poesia; sendo mestre da métrica, do verso livre e da rima. Assim escreveu Rabelo, embalado pelas musas:
O mártir da Galiléia
esta verdade traduz:
Não morre nunca uma idéia,
mesmo pregada na cruz!
Tem sentido alto e profundo
este provérbio que diz:
que não é pobre o mundo,
quem, sendo pobre, é feliz.
Mesmo sem ver-te Jesus,
minha fé em ti persiste:
- O cego não vê a luz,
mas sabe que a luz existe…
Outros nomes representativos da cultura potiguar honraram nossa Academia, ocupando a presidência da casa: o poeta José Amaral que coordenou o I Congresso Nacional de Trovadores, realizado em Natal, de 23 a 29 de outubro de 1969: o Desembargador Wilson Dantas, poeta de inspiração ilimitada; o poeta do verso medido e humorado Revoredo Netto; o lírico poeta Sebastião Soares; o poeta Giovani Xavier que foi Juiz de Direito da capital potiguar; o matemático e poeta José Haroldo Teixeira Duarte – todos trovaram para elevar o verso potiguar à categoria das raridades poéticas. São exemplos de pérolas raras da poesia brasileiras as trovas de:
José Amaral:Teus olhos são pisca-pisca
do carro azul da saudade,
correndo em estrada arisca
levando-me a mocidade
Dois beijos. Dois, e mais nada,
me comoveram na vida:
um – que te dei na chegada,
o outro – que te dei na saída.
Wilson Dantas:
Céu com três letras escreve
mãe também se escreve assim,
e neste nome tão breve
existe um céu para mim.
Meu pai, na sua velhice,
tão bom era aos olhos meus,
que se Deus não existisse
meu pai seria o meu Deus.
Revoredo Netto:
Vivendo, embora, a existência
distante da perfeição
que me falte a luz da ciência,
mas nunca a luz da razão.
A natureza descerra
do tempo o infinito véu:
de dia – descobre a terra,
de noite – descobre o céu…
Sebastião Soares:Sino, nossa estranha sorte
Deus assim que ver comprida,
canta o tormento da morte
que eu vou chorando os da vida!
Eu sei de uma negra cruz,
de tão negra não tem nome:
essa que o pobre conduz
pelo calvário da fome.
Giovani Xavier:
No torvelinho das águas,
como jangada perdida,
fiz de alegrias e mágoas
os remos da minha vida.
José Haroldo Duarte:Quando passa o vaga-lume
pelas noites sem luar,
foge da flor o perfume,
para teus lábios beijar.
Neste ano de 1997, na sede natalense da AABB, às vinte horas do dia 22 de março, tomei posse como presidente da academia, após ter sido reeleito, por aclamação, para o biênio 1997-1998. Naquela noite serena relembramos os feitos da nossa administração passada. O primeiro aconteceu no dia 18 de junho de 1995, à 20:00h, no Teatro Sandowal Wanderley, quando, de corações abertos recebemos os trovadores Joamir Medeiros e Maria Antonieta Bittencourt Dutra de Souza como novos acadêmicos. O segundo foi, ainda em 1995, a realização do I CONCURSO DE TROVAS EDUCATIVAS da Academia, enfocando o tema AIDS; um trabalho aprovado pelo Ministério da Saúde para correr o mundo através da INTERNET. Na noite de 05 de outubro de 1995, numa quinta-feira de luz, na Capitania das Artes, nesta Natal invulgar, aconteceu o lançamento dos sonhos dos trovadores norte-rio-grandenses, uma coletânea de trovas dos imortais da Academia.
Em 18 de julho de 1996, Dia do Trovador, Dia de Luis Otávio, mais uma vez na intimidade do Teatro Sandowal Wanderley, abrimos os corações e por eles entraram os nossos acadêmicos Fabiano Wanderley, Severino Campelo, Ivaniso Galhardo e Roberto Mota. E na noite do dia 23 de dezembro de 1996, dois importantes acontecimentos embelezaram, ainda mais, aquele sábado primaveril; o primeiro foi a posse de Luiz Xavier e o segundo foi a entrega dos prêmios do XVI CONCURSO NACIONAL DE TROVAS DA ACADEMIA, cujo tema, o RIO POTENGI, encheu os olhos dos trovadores potiguares. Outro maravilhoso momento da entidade foi o renascimento do jornal “O TROVADOR” que estava fora de circulação há, mais ou menos, 30 anos. Um grande sonho não aconteceu – a conquista de uma sede para a ACADEMIA DE TROVAS DO RIO GRANDE DO NORTE.
Hoje, mesmo sem sede própria, a nossa Academia vive dias de glória. Nossas reuniões mensais estão sendo realizadas no auditório do Instituto Histórico e Geográfico do Rio Grande do Norte, graças ao amante das artes, da prosa e da poesia o escritor Enélio Petrovich, dirigente da Casa das Memórias Potiguares. Graças também, aos antigos presidentes que perpetuaram a chama da trova norte-rio-grandense para que, mesmo sem sede, a Academia chegasse aonde chegou. Por isso, merecem os mais calorosos aplausos, alem dos presidentes, todos os imortais que lutaram pela trova e os amantes da poesia sintética. Estamos cientes da missão do trovador; promover o bem, usando a trova como veículo de mensagens educativas, ecológicas históricas, líricas, filosóficas e humorísticas.
Hoje, 26 de março de 1997, numa tarde outonal, recebo das mãos do criador da Academia, Luiz Gonzaga Meira Bezerra, um presente de aniversário, um envelope com três fotos da noite da fundação do Clube dos Trovadores Potiguares. Na primeira estão os três Luiz – Rabelo Bezerra e o inolvidável Cascudo. O sorriso de Luiz G. M. Bezerra demonstrava a realização de um sonho; o eclético poeta Luiz Rabelo espreita, atentamente, a mímica do eterno e encantador mestre Luiz da Câmara Cascudo – patrimônio cultural do Rio Grande do Norte. A segunda foto mostra Luiz G. M. Bezerra no comando dos trabalhos. A terceira foto mostra o auditório do PALÁCIO DO COMÉRCIO, no histórico bairro da Ribeira, repleto de cabeças pensantes da época.
Naquela noite de 12 de novembro de 1965, mais de 50 trovadores embalaram o momento, sacudindo a fundação da Academia com versos explosivos, relâmpagos, metafóricos e conclusivos. Versos que adornaram o Palácio do Comércio, embelezando segundos e centímetros da festa, ecoando no ouvido de uma platéia, religiosamente atenta: Virgílio Trindade, Evaristo de Souza, Jaime Wanderley, Francisco Menezes de Melo, Silvino Bezerra Neto, João Figueiredo de Souza, Enélio Lima Petrovich, Revoredo Netto, Mariano Coelho, Carlos Homem Siqueira, Bernardino Vasconcelos, João Guimarães, Antídio de Azevedo e outros.
Certamente algumas trovas que brilharam no Palácio do Comércio estão impressas no livro antológico da ATRN, o nosso troféu SINFONIA DE TROVAS, como estas:
Antídio de Azevedo
Se a areia que pisas tanto,
adivinhasse quem és,
vibrava toda, garanto,
beijando, louca, teus pés.
Jaime Wanderley
Poesia! Suave perfume,
que obra milagre profundo,
pois multiplica e resume,
toda beleza do mundo!
João Carlos de Vasconcelos:
Natal é cidade amada,
do Potengi a consorte.
- É bela jóia engastada
No Rio Grande do Norte.
João Guimarães:
Se tudo em mim se renova
Quando te vejo, querida,
É porque tu és trova,
Que eu canto na minha vida.
Mariano Coelho
Mesmo que a noite ostentasse
multidões de sete estrelas,
não creio que superasse
a noite dos teus cabelos.
E tudo Transcorreu, na noite da fundação, sob a aura intelectual do papa da cultura potiguar, o maestro das letras LUIS DA CÂMARA CASCUDO; fato que demonstra que a trova sempre foi cantada por grandes literatos como o mais perfeito manifesto poético, tanto pela grandiosidade da síntese, como pela beleza da rima e da métrica. Por isso todo trovador é imortal sente-se impelido a fazer estas reflexões:
Maior prêmio cultural
nas artes, prosa e poesia,
merece aquele imortal
Que ama a própria Academia.
Todo imortal deveria,
enquanto vida tivesse,
pedir pela Academia,
a Deus, em forma de prece.
Presidente da ATRN
Fonte: Academia de Trovas do Rio Grande do Norte.

ABRAM ALAS PARA OS TROVADORES POTIGUARES

FONTE: SEBO VERMELHO


O historiador, músico e imortal da Academia Norte-rio-grandense de Letras deu grande contribuição à história do RN com a publicação de Trovadores Potiguares, a primeira história da música do Rio Grande do Norte, em 1962, por uma editora paulistana.
Gumercindo reuniu os grandes violões do passado: Heronides França, Eduardo
Medeiros, Olympio Batista Filho, Deolindo Lima e muitos outros talentos que musicaram os poetas Auta de Souza, Ferreira Itajubá, Gothardo Netto, Lourival Açucena, Othoniel Meneses, Palmyra, Carolina, Sinhazinha e Segundo Wanderley.
É mais um livro importante e raro que o Sebo Vermelho reedita em edição fac-similar, como marco inicial das comemorações do centenário de Gumercindo Saraiva.
Gumercindo nasceu em Baixa Verde, em 29 de dezembro de 1910. Publicou os seguintes livros: Esperanto, Risos e Lágrimas na Música, Cascudo, Musicólogo Desconhecido, Lendas do Brasil, Dicionário da Gíria – dos marginais às classes de elite, Trovadores Potiguares e Adágio, Provérbios e Termos Musicais. Faleceu em 20 de maio de 1988, quando fazia uma apresentação musical na Fundação José Augusto.

Abimael Silva

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